terça-feira, 13 de dezembro de 2022

BOAS FESTAS e FELIZ 2023!


O profº Ângelo Rodrigues deseja a todos os seus alunos (e respetivas famílias), bem como a todos os colegas que visitam e utilizam este blogue, um BOM NATAL e um FELIZ 2023 com muita saúde, paz e cultura.

sábado, 29 de outubro de 2022

DIA MUNDIAL DA FILOSOFIA - 17 de novembro - implementado pela UNESCO desde 2002 - Ver seleção de Cartazes idealizados e realizados pelos alunos!

 A Escola Secundária Emídio Navarro irá comemorar este dia com uma atividade que envolve todas as turmas de Filosofia e a realização de um "Postal filosófico". Oportunamente se colocarão aqui os cartazes a serem criados/concebidos pelos alunos.


 «A Escola de Atenas» de Rafael Sanzio
A Escola de Atenas (Scuola di Atene no original) é uma das mais famosas pinturas do renascentista italiano Rafael e representa a Academia de Atenas. Foi pintada entre 1509 e 1510 na Stanza della Segnatura sob encomenda do Vaticano

Um Pensamento Por Dia Não Sabe O Bem que Lhe Fazia

Dia 17 de novembro de 2022

 Comemora-se este ano a 17 de novembro, data da terceira quinta-feira do mês de novembro, o Dia Mundial ad Filosofia. Há anos que este Agrupamento e os seus professores pensam num conjunto de atividades que reiterem o papel insubstituível da mesma na formação pessoal e formativa dos nossos alunos, na sua importância pelo conhecimento e pelas competências que promovem no desenvolvimento intelectual, social e político dos jovens. Nos diferentes anos temos selecionado temas, problemas, abordagens diversas que geram exposições, disrupções no espaço comum da escola e no espaço envolvente, palestras e debates, deixam provocações de que nascem perguntas, envolvem mostras de filmes, cápsulas do tempo, teatro...Quando se olha para trás, talvez só se consiga justificar a diversidade de caminhos porque a própria natureza da Filosofia é diversa e em si mesma ela é problematizadora, provocadora, disruptiva, não consensual, textual e dialógica.

Nesse sentido, quando se pensou no que fazer para assinalar este Dia Mundial  da Filosofia pensámos na possibilidade de provocar a comunidade que nos visita e de lhes oferecer parte de um legado e de uma tradição que é essencialmente um património de problemas, de teses, de argumentos, mas também de práticas de vida.

Surgiu recentemente, a partir da obra de Hadot e Foucault, uma tentativa de recuperar a Filosofia não apenas como sistema de ideias, ou conceções teóricas, eruditas ou adstritas a especialistas sobre a vida. Partindo dos Antigos e, em particular, dos Estóicos, dos Epicuristas, dos céticos e do neoplatonismo, recupera-se a ideia de que a Filosofia é também uma prática de vida.

Sellars, Michael Chase, Julia Annas, Michael Ure ou Keith Ansell, para já não falar da mais conhecida de todas, Martha Nussbaum, partem em muitos dos seus ensaios, de questões como as que aparecem formuladas na introdução de uma obra que foi lançada há pouco tempo no nosso país:

“E se a verdade que os filósofos procuram não fosse somente um corpo de conhecimentos teóricos sobre o mundo, mas uma verdade capaz de transformar-nos eticamente? E se além de ser estudada, ensinada, aprendida, a Filosofia tivesse uma potencialidade prática e performativa, capaz de responder às inquietações mais profunda dos indivíduos e de operar uma transformação nos modos de ser, estar e viver no mundo?” (Filosofia como Modo de Vida – Ensaios Escolhidos, numa organização de Federico Testa e Marta Faustino, 2022, p. 13)

Nesse sentido, o mote deste ano, influenciado pela leitura desta obra, foi um pensamento por dia não sabe o bem que lhe fazia, tendo os professores pedido aos seus alunos que escolhessem um que influenciasse a sua maneira de pensar e agir. Deviam escrever esse pensamento num postal que perdurará durante algum tempo nas suas salas, à maneira de sentenças e imperativos para o pensamento e para a ação e, numa fase posterior, possam ser dados a quem visite a comunidade educativa que é o Agrupamento. Reparando, com alguma atenção, no breve comentário que fizeram sobre a frase escolhida, percebemos que a importância dessas citações se prende com a necessidade de mudar de vida, de alterar o olhar sobre as coisas do mundo, encontrando intuitivamente os alunos, na Filosofia, um impulso para agir no real e para a conversão da sua ação em nome de valores, da ética, ou da procura da vida feliz. A propósito disso lembramo-nos da afirmação de Nietzsche que disse que o teste para a filosofia consistia em saber se conseguimos viver de acordo com ela.

Ao expressar e escrever isto, Nietzsche estava a dizer que a Filosofia não pode fechar-se num corpo de abstrações e desligar-se da vida e de uma articulação entre um modo de pensar e de agir, de uma transformação do pensamento e de si mesmo.

Assim, este ano, oferecemos à comunidade a densidade filosófica que se pode encontrar num conjunto de frases que não têm necessariamente que ser de filósofos – mas expressam uma reflexão sobre a vida – acompanhada de anotações pessoais que se constituem, como acontecia com os Antigos, como exercícios espirituais para viver melhor e bem, feliz. E, para evocar outro filósofo no dia deles, Diderot fazia hypomnémata, registos de citações, para a memória guardar essas sentenças memoráveis e máximas práticas e para que as ideias estivessem sempre à mão de semear, não vá a vida pedir uma mão a quem pensa!

E ela pede. É essa mão que a Filosofia oferece ao pensamento e à vida.

 Grupo Disciplinar 410

 

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Lógica Proposicional - Curta metragem «A Suspeita»


A suspeita

Este é, sem dúvida, o filme de animação português mais conhecido em todo o mundo. Feito em stop-motion e realizado por José Miguel Ribeiro, e tendo sido a animação portuguesa mais premiada de sempre, «A suspeita» passa-se num vagão de comboio, em que entra o primeiro personagem. Lendo o jornal, ele fica informado sobre a história do assassino dos comboios. Entretanto, mais 3 passageiros entram na carruagem, e o primeiro personagem pensa que um dos passageiros é o assassino dos comboios. Mas ele fez a escolha errada. Quem será então o assassino dos comboios? Um filme cheio de gags e muito bem feito, é assim que todos os filmes de animação portugueses deveriam ser. José Miguel Ribeiro faz o seu mehor, tendo feito há pouco tempo outra curta: «Passeio de domingo».
O filme está disponível em DVD e no youtube.
O filme foi dobrado em várias línguas, entre as quais em francês e inglês.

Texto retirado de: http://tesourosdocinema.blogspot.com/2009/05/suspeita.html

domingo, 11 de setembro de 2022

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Especial - Filosofia - Podcast

Especial (Clica neste link e ouve o Podcast!)
À Luz da Razão - Filosofar faz parte da natureza humana?
À luz da da razão, com o filósofo Aires Almeida.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

quinta-feira, 13 de maio de 2021

JOHN RAWLS («A Teoria da Justiça como Equidade») | A tua Filosofia


A cultura americana não nos legou apenas donuts e wrestling – de modo obviamente menos relevante, há pessoas nos Estados Unidos da América a dedicar-se à filosofia; tal como Rawls, os filósofos acima referidos são americanos.

Robert Nozick iniciou as suas funções docentes em Harvard três anos depois de Rawls; e foi também três anos depois de Rawls ter publicado, em 1971, a sua obra “Uma Teoria da Justiça”, que Nozick lançou “Anarquia, Estado e Utopia” (felizmente, o lançamento, efetuado através de uma janela, não magoou ninguém, apesar do livro ser pesado). De acordo com Nozick, o princípio da diferença viola o prioritário princípio da liberdade. Garantir que as diferenças económicas funcionam ao serviço dos mais desfavorecidos exige, é certo, um Estado que redistribui a riqueza, cobrando mais impostos aos mais ricos para assegurar os direitos sociais dos mais desfavorecidos. Ora, para Nozick, essa cobrança de impostos, feita contra a vontade das pessoas, viola o seu legítimo direito à propriedade, uma das liberdades fundamentais; os impostos sobre o trabalho que visam redistribuir a riqueza são, portanto, como trabalho forçado. Enquanto que a perspetiva de Rawls conduz à defesa de um Estado Social, Nozick defende um Estado Mínimo: um estado que não tem funções sociais como saúde ou educação, assegurando apenas a paz social e o cumprimento dos contratos. O Estado Mínimo tem militares, polícias e tribunais – não tem assistentes sociais, professores e bibliotecários. Nozick pertence, pois, a uma corrente ultraliberal que considera a liberdade individual o único valor a defender: o libertarismo (não confundir com o libertismo, tese no domínio da discussão, diferente desta, sobre o livre-arbítrio). Para os libertaristas, apenas princípio da Liberdade e o da Igualdade de oportunidades defendido por Rawls, importa.

[ UPDATE: ligação para o vídeo da série "versus e critiquinhas" sobre a crítica de Nozick: https://www.youtube.com/watch?v=FbKBW... ]

Michael Sandel começou a ensinar em Harvard - bastante jovem - aproximadamente vinte anos depois de Rawls (e contou numa entrevista como recebeu, nos primeiros dias, um amigável telefonema de Rawls, que contudo o deixou nervoso pela magnitude do filósofo). Em 1981, dez anos depois da principal obra de Rawls, Sandel (talvez equipado com umas belas sandálias) publicou “O liberalismo e a esfera da justiça”. Diferentemente da matriz kantiana do pensamento de Rawls, cuja posição original com véu de ignorância concebe, ainda que hipoteticamente, as pessoas como agentes somente racionais, dando prioridade ao justo face a conceções particulares do bem, Sandel vai afirmar que tal metodologia é infrutífera. Não há pessoas assim concebidas e não vale a pena pensar assim, ainda que hipoteticamente. O comunitarismo (não confundir com comunismo, perspetiva política diferente e que aqui não abordamos) de Sandel ataca, pois, a posição original, já que defende que a comunidade precede a pessoa. Só há pessoas concretas, em comunidade, portadoras de uma conceção de bem que resulta da cultura dessa comunidade. Assim, Sandel aceitará os princípios de justiça de Rawls, mas discordará, por um lado, da metodologia filosófica que a eles conduz e, por outro, da prioridade dada ao princípio da liberdade.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

«À Porta da Eternidade» - filme recomendado

À Porta da Eternidade: Antes de se dedicar à pintura, o holandês Vincent Van Gogh teve uma breve carreira como pastor evangelista. Em Paris, para onde se mudou em 1886, cruz

sábado, 13 de março de 2021

#14 - KANT VS MILL NUM SLIDESHOW MÍTICO | ui, aproxima-se o exame de Fil...



Vamos, de forma breve, ver quatro diferenças entre as éticas de Kant e de Stuart Mill.

Diferença nº 1: metafísica vs. naturalismo
O imperativo categórico kantiano expressa uma lei moral que, de acordo com o filósofo, a nossa razão pode descobrir em si mesma antes de qualquer dado da experiência. O ponto de partida de Kant é metafísico, palavra grega que significa para além da física. A razão pura que há em cada um de nós descobre, por si mesma, a lei moral. Pelo contrário, nada disto interessa a Stuart Mill. Para o nosso amigo britânico, um firme naturalismo deve presidir ao nosso pensamento: o ser humano não está acima da natureza, mas faz parte dela. Uma proposta ética funcional deve basear-se nas experiências concretas do ser humano.

Diferença nº 2: motivos vs. consequências
De boas intenções está o inferno cheio, diria Stuart Mill, pensador consequencialista. Para este filósofo que foi também funcionário da Companhia das Índias Orientais Britânicas, o critério de uma boa ação reside nas consequências que a mesma gera e, dentro destas, o que se pretende é a felicidade geral. Pelo contrário, para Kant, o critério de uma boa ação reside nos motivos da ação. E apenas um motivo é verdadeiramente moral: o puro respeito pelo dever - por isso se trata de uma ética deontológica.

Diferença nº 3: razão vs. sentimento

Para Kant, homem tão pontual que as senhoras da sua vila acertavam o relógio pela hora a que ele dava o passeio depois da sesta, razão e sentimentos são bem diferentes e a ética exige a vitória da razão. É o domínio racional dos nossos interesses e instintos que conduz a uma vida ética. Ser ético é ser racional. Ao invés, para Mill, a razão tem um papel de cálculo e de balanço mas a finalidade ética por excelência é a felicidade que, sobretudo para os hedonistas, é um sentimento.

Diferença nº 4: regras morais absolutas vs. regras morais que admitem exceções

O imperativo categórico leva-nos a que as regras morais representadas por máximas universalizáveis sejam absolutas: não há exceções. Pelo contrário, o princípio da utilidade faz com que as regras morais dele derivadas possam encontrar exceções. Numa situação invulgar em que não saibamos muito bem como aplicar a regra ou em que haja, até, uma contradição entre regras morais, suspender excecionalmente uma regra moral pode conduzir a uma maior felicidade geral, argumentam os utilitaristas.

ÉTICA UTILITARISTA DE STUART MILL


Vamos nesta descrição destacar quatro críticas que podem ser feitas à proposta ética de Stuart Mill, o utilitarismo.
O utilitarismo legitima distribuições desiguais
Imaginemos duas educadoras de infância que decidem fazer um bolo para a turma de cada uma delas. A Educadora de Infância da turma A faz um bolo banal, mas estima bem as quantidades e todas as crianças comem bolo, ficando moderadamente agradadas. A Educadora da turma B faz um bolo verdadeiramente excelente, mas engana-se nas quantidades e apenas dois terços da turma comem bolo, ficando contudo em verdadeiro êxtase, pois trata-se do melhor bolo que aquelas crianças já comeram na sua curta vida. Ora, o acréscimo de felicidade geral parece ser maior na turma B; contudo, a distribuição mais igualitária é na turma A. O esquema de pensamento utilitarista parece falhar ao não ter em conta critérios de equidade no seu cálculo da felicidade geral.
O utilitarismo permite o sacrifício das minorias
Imaginemos uma aldeia em que 95 % da população ganha a convicção profunda – mas falsa – de que os 5% da população que têm olhos verdes são um clã secreto de feitiçaria violenta. Ora, para os 95% da população, a felicidade só poderá ser alcançada se forem sacrificados os 5% da população que a referida maioria receia. A prioridade dada à felicidade geral, sem cláusulas de salvaguarda, faz com que o pensamento utilitarista pareça permitir o sacrifício de minorias em prol de maiorias.
O utilitarismo exige uma imparcialidade excessiva
A moralidade de uma ação, para o utilitarismo, fixa-se nas suas consequências. Isto envolve um cálculo. Ora, se queremos usar o utilitarismo na vida concreta, este cálculo assume um caráter previsional. E é precisamente aqui que pode estar sujeito ao erro, pois muitas vezes pensamos que as consequências da nossa ação vão ser umas, verificando-se depois consequências imprevistas.
Imaginemos um carro em que circula uma família de três pessoas. De súbito, o/a condutor/a apercebe-se de que, mesmo à sua frente, uma família de cinco pessoas atravessa a rua. O/a condutor/a percebe que não conseguirá travar a tempo; mas, se se desviar, bate contra uma parede, colocando em risco os que vão no automóvel. A perspetiva utilitarista recomendará, aqui, a salvação da família de cinco pessoas, meramente porque são mais – mas não será demasiado exigente ignorar critérios como a lealdade e a proximidade afetiva?
O utilitarismo pressupõe um cálculo muito difícil
A moralidade de uma ação, para o utilitarismo, fixa-se nas suas consequências. Isto envolve um cálculo. Ora, se queremos usar o utilitarismo na vida concreta, este cálculo assume um caráter previsional. E é precisamente aqui que pode estar sujeito ao erro, pois muitas vezes pensamos que as consequências da nossa ação vão ser umas, verificando-se depois consequências imprevistas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

#10 - VISITA INESPERADA COM OS JUÍZOS MORAIS (Juízos de Facto e Juízos de Valor) / Objetivismo, Subjetivismo e Relativismo axiológico



|| Série "ui, aproxima-se o exame de Filosofia" | #10 – Visita inesperada com os juízos morais || Resistimos e continuamos! O décimo vídeo – gravado poucos dias antes de ficarmos todos confinadinhos – é celebrado com uma supimpa camisa às flores e um atrevido cérebro. || "A Tua Filosofia": um projeto do "Comité do Canal" | Prof. David Erlich e @s alun@s do 11ºA Beatriz Rodrigues, Diogo Alcobia, Diogo Barbosa, João Cruz, Nélson Pereira, Pedro Rodrigues e Rita Bonito. || || Segue-nos no Instagram: https://www.instagram.com/atuafilosofia/ || Visita inesperada com os juízos morais Viva a Ludmilla! Dito isto, vamos a isto. Antes de entrarmos no debate entre a ética deontológica de Kant, a ética consequencialista de Stuart Mill e as perspetiva dietética da macrobiótica, as AE (https://www.dge.mec.pt/sites/default/...) levam-nos a discutir a natureza dos juízos morais. Como ponto de partida, levamos no bolso – ou vá, numa mochila, ou até num saco, ou numa bolsa, ou numa pochette, ou ainda… ok, já chega – a distinção entre juízos de facto e juízos de valor. Em termos simples, podemos dizer que um juízo de facto descreve o real, enquanto um juízo de valor aprecia o real; que um juízo de facto é somente descritivo, enquanto um juízo de valor frequentemente se assume como normativo/prescritivo; que o Cristiano Ronaldo é melhor jogador que o Messi, mas isso não tem nada a ver com este assunto (ou terá?). Podemos referir como exemplos de juízos de facto, independentemente de serem verdadeiros ou falsos, os seguintes: Paris é a capital de Portugal; a água em estado puro ferve a cem graus centígrados; Lana Del Rey é uma cantora americana; Moscavide é um bairro no concelho de Faro. E, como exemplos de juízos de valor, podemos referir os seguintes: este quadro é muito belo; a música da Adele é fantástica; é justo doar dinheiro aos mais pobres; que bonito é aquele edifício. Pensemos nos juízos morais, por exemplo “não deves embebedar-te loucamente nas sextas-feiras à noite e depois conduzir”, “deves esforçar-te para seres um bom namorado”, “ultrapassar as pessoas na fila de uma discoteca é errado”, “é correto ajudar os mais idosos”. Onde os localizamos? São juízos de valor? Ou são juízos de facto? Para o OBJETIVISMO Axiológico, pelo menos alguns juízos morais são, certamente, juízos de facto, pois há uma realidade moral independente das perspetivações humanas. Ou seja, tal como a realidade dos átomos, das placas tectónicas e do mundo zoológico é independente do que nós, humanos, achemos dessa mesma realidade, de igual modo a realidade moral é independente dos nossos contextos. Nós não criamos valores morais com a linguagem – os valores morais existem por si só e a nossa linguagem moral aproxima-se ou afasta-se dessa realidade moral. Para o SUBJETIVISMO Axiológico, os juízos morais são meras expressões de preferências pessoais. Não há uma realidade moral externa à mente dos indivíduos. Os valores morais expressos nos juízos morais são somente preferências de cada sujeito moral.

Por sua vez, o RELATIVISMO Axiológico (Moral) concorda com a ideia subjetivista de que não há uma realidade moral independente das apreciações humanas, mas considera que os juízos morais são relativos às culturas. Os juízos morais podem ser comparados com a ordem moral vigente numa determinada cultura, mas não com uma realidade moral independente da cultura humana, pois essa suposta realidade moral é inexistente. Cada uma destas três teses reúne argumentos favoráveis e objeções, alguns dos quais podes ver no vídeo. E agora... que as ondas da filosofia estejam contigo! Bom estudo!

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

#09 – O MEU GATO E O LIVRE-ARBÍTRIO | Determinismo e Liberdade na Ação Humana (O problema do Lívre Arbítrio)



NOTA: a matéria para a Ficha Formativa nº 2 (a realizar antes do 2º teste)
vem até à matéria apresentada neste vídeo. Bom estudo!


|| Série "ui, aproxima-se o exame de Filosofia" | #09 – O meu gato e o livre-arbítrio || Um vídeo sobre o problema do livre-arbítrio que inclui um gato chamado Rorty e, ainda, menções exageradas a figuras como Dillaz, Piruka, ProfJam e Dua Lipa. || "A Tua Filosofia": um projeto do "Comité do Canal" em parceria com a turma 11º A da Escola Secundária de Alcochete de 2019/2020 || || Autoria: David Erlich | Edição de vídeo: Diogo Barbosa e David Erlich | Captação de imagem: Diogo Alcobia e João Cruz | Gestão de redes sociais: Nélson Pereira | Apoio geral e divulgação: Beatriz Rodrigues, Pedro Rodrigues e Rita Bonito || Segue-nos no Instagram: https://www.instagram.com/atuafilosofia/ || LÓGICA INFORMAL E RANDOM CENAS ESTRANHAS Concluída a lógica, as AE (https://www.dge.mec.pt/sites/default/...) levam-nos ao problema do livre-arbítrio. Será que somos livres nas nossas decisões ou somos meros escravos da causa e efeito (voz dramática)? Antes de mais, há que distinguir este problema do da liberdade política. Na primeira discussão – a que aqui teremos – estaremos a debater o livre-arbítrio, a existência ou não de uma liberdade mental de decisão; na segunda discussão o debate será acerca do limite entre poder do indivíduo e autoridade do Estado. O nosso objetivo é conhecer três perspetivas acerca do problema do livre-arbítrio: o determinismo radical, o libertismo e o determinismo moderado. DETERMINISMO RADICAL Olhemos para uma das formas argumentativas a que podemos reduzir o determinismo radical: P 1 - Uma ação ou é livre ou é determinada. P 2 - Todas as ações são determinadas. Nenhuma ação é livre. O primeiro que salta à nossa vista – coisa que o canguru gosta muito de fazer – é a primeira premissa, que torna o determinismo radical uma tese incompatibilista. Incompatibilista porque, para o determinismo radical, uma ação não pode ser simultaneamente livre e determinada. Mas como é que o determinismo radical justifica a segunda premissa? Porque é que todas as ações são determinadas? O determinismo radical, frequentemente, justifica esta perspetiva com um monismo fisicista: tudo o que existe no mundo é de natureza física; tudo o que é de natureza física está sujeito às leis da física (que assentam na causalidade, mesmo que ainda não as conheçamos todas); e tudo o que está sujeito às leis da física não pode ser livre. Portanto, o ser humano é inteiramente de natureza física, está sujeito às leis da física e não é livre. O ser humano não está acima da natureza através de uma suposta alma racional; pertence à natureza e não deixa de estar sujeito às leis da natureza. Uma das objeções ao determinismo radical é a da responsabilidade moral (explicada no vídeo). Outra é a do indeterminismo: ao longo do século XX e ainda atualmente, os físicos têm estado numa via de descobrir que, ao nível subatómico, as partículas não são analisáveis à luz do determinismo da física clássica; a atual física de partículas admite a aleatoriedade e oferece uma visão do mundo distinta do estrito determinismo da física clássica. LIBERTISMO Olhemos para uma das formas argumentativas a que podemos reduzir o libertismo: P 1 - Uma ação ou é livre ou é determinada. P 2 – Algumas ações não são determinadas. Algumas ações são livres. O primeiro que salta à nossa vista (lá esta o canguru outra vez) é que a primeira premissa é igual à do determinismo radical. Pois é: o libertismo é também uma tese incompatibilista pois partilha da conceção de que a noção de livre-arbítrio e a noção de determinação causal não são compatíveis. Contudo, o libertista vai afirmar que algumas ações são livres. Porque é que algumas ações, então, são livres? O libertismo é, frequentemente, e de modo mais assumido ou menos assumido, um dualismo: o mundo não é um, mas dois. No mundo físico, domina, é certo, a lei de causa e efeito. Mas no mundo inteligível, o mundo espiritiual, pode dominar a Razão. Assim, o ser humano é animalesco e sujeito à lei da causa e efeito; mas é também, por vezes, um ser autónomo e racional capaz de tomar decisões livres. A objeção/crítica que pode ser levantada é, precisamente, como é que o libertismo justifica esta excecionalidade da deliberação humana (o facto de o Homem partilhar de dois mundos distintos!). DETERMINISMO MODERADO Wow! Temos pouco espaço disponível! Vamos a isto. O determinismo moderado põe em causa a primeira premissa das teses incompatibilistas e afirma que embora todas as ações sejam determinadas, algumas são também livres. Para poder defender esta asserção, o determinismo moderado desloca o conceito de livre-arbítrio: uma ação livre não é uma ação liberta de causalidade, mas sim uma ação que corresponde ao desejo do agente. Ou seja, uma ação isenta de coerção (Obrigação, constrangimentos). No vídeo é explicada uma objeção que o determinismo moderado enfrenta. E agora... que as ondas da filosofia estejam contigo! Bom estudo!

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

#08 - LÓGICA INFORMAL E RANDOM CENAS | - Tipos de Argumentos e Falácias informais



NOTA: podes consultar outros vídeos sobre a LÓGICA PROPOSICIONAL
(e outros conteúdos) deste colega em:
Podes também visitar o seu Canal de Youtube em «A Tua Filosofia». Bom estudo!

As AE de Filosofia (https://www.dge.mec.pt/sites/default/...) levaram-nos à lógica formal, em primeiro lugar, e trazem-nos agora à lógica informal, seguidamente. A primeira estuda os argumentos dedutivos e a segunda estuda os argumentos não dedutivos. Quanto à diferença entre estes dois tipos de argumento, podes visualizar o SEGUNDO VÍDEO desta série (e não o terceiro, como erradamente foi dito neste vídeo): https://www.youtube.com/watch?v=W8-Cw... .
Na lógica informal, queremos saber três argumentos não dedutivos, doze falácias informais e o vencedor da primeira edição da Casa dos Segredos. Esperem – creio que me enganei neste último objetivo.
Neste vídeo encontras a explicação de cada um dos argumentos bem como dos critérios que podemos usar para os avaliar; encontras, ainda, a elucidação de cada uma das doze falácias informais, bem como da sua diferença em relação às falácias formais.

Portanto, nesta descrição, dançaremos o Funaná enquanto damos exemplos de cada um dos tipos de argumento e de cada uma das doze falácias.

ARGUMENTOS INFORMAIS
Argumento indutivo
O edifício ao lado do meu tem a mesma altura que o meu, foi construído no mesmo ano, tem igual estado de conservação e não foi afetado pelas obras na rua. Assim, o meu edifício também não terá sido afetado.
60% da amostra de 2500 portugueses inquiridos indica que votará no partido Y. Portanto, o partido Y terá 60% dos votos na eleição de amanhã.
Argumento por analogia
Argumento de autoridade
Vi três lémures na minha viagem de férias. Tiveram medo de mim. Portanto, todos os lémures têm medo de seres humanos.
No último artigo escrito antes de morrer, Stephen Hawking discorda da teoria da inflação eterna do Universo. Logo, é bastante provável que esta teoria esteja errada.
FALÁCIAS INFORMAIS
Generalização precipitada
Amostra não representativa
Um peixe tem cérebro, sensações e movimenta-se. Um ser humano também. Assim, se o ser humano tem o dom da fala, certamente os peixes também usam palavras.
O lançamento de um inquérito a clientes Pantene, feito à saída dos supermercados em Lisboa, resultou em que 90% das clientes está radiante com os resultados do seu shampoo. Portanto, nove em cada dez clientes Pantene está verdadeiramente satisfeita.

Falsa analogia

Apelo à autoridade
José Mourinho afirmou que o que o País precisa é de uma liderança forte. Assim, é disso mesmo que o País precisa.

Petição de princípio
Tu bem podes afirmar o que quiseres acerca do debate entre ética deontológica e ética consequencialista, mas como apanhas bebedeiras todas as sextas-feiras não tens razão nenhuma.
Digo sempre a verdade numa discussão. Portanto, é evidente que neste debate não estou a mentir.

Falso dilema
Ou apostas no desporto, ou apostas no conhecimento. Espero bem que apostes no conhecimento, portanto tens de desistir do desporto.

Falsa relação causal
Depois de ter ido à consulta de leitura da mão e ter saído a meio, fui despedido do emprego. Certamente não teria sido despedido do emprego se não tivesse saído a meio da consulta.

Ad hominem (do Homem) Ad populum
Sujeito B (que comete a falácia) – O sujeito A defende que a política deve ser só para jovens e eu acredito na solidariedade entre gerações; penso portanto que é uma proposta errada e condenável.
A maioria das pessoas está contra o poliamor. Portanto, o poliamor é eticamente errado.

Apelo à ignorância.
Ainda não se provou que o Universo não está em expansão. Portanto, ele está em expansão.

Boneco da palha (ou espantalho)
Sujeito A – É essencial diminuir a idade de voto para os dezasseis anos, para envolver mais os jovens na política.

Derrapagem (ou bola de neve, ou declive escorregadio)
E agora... que as ondas da filosofia estejam contigo! Bom estudo!

#07 - LÓGICA PROPOSICIONAL - Inferências válidas e Falácias formais



NOTA: podes consultar outros vídeos sobre a LÓGICA PROPOSICIONAL
(e outros conteúdos) deste colega em:
Podes também visitar o seu Canal de Youtube em «A Tua Filosofia». Bom estudo!


|| Série "ui, aproxima-se o exame de Filosofia" | #07 – Especial Carnaval: lógica proposicional e emojis || No último vídeo sobre lógica proposicional, eis o Carnaval: para além de inferências válidas e falácias formais, há o magnífico concurso “Adivinha o Emoji”. Aviso: final surpreendente! || "A Tua Filosofia": um projeto do "Comité do Canal" em parceria com a turma 11º A da Escola Secundária de Alcochete de 2019/2020 || || Autoria: David Erlich | Edição de vídeo: Diogo Barbosa Captação de imagem: Diogo Alcobia e João Cruz | Gestão de redes sociais: Nélson Pereira | Apoio geral e divulgação: Beatriz Rodrigues, Pedro Rodrigues e Rita Bonito || Guitarra: Pedro Rodrigues || Segue-nos no Instagram: https://www.instagram.com/atuafilosofia/ ! UPDATE ! Vídeo da série "versus e critiquinhas" comparativo entre a lógica proposicional e a lógica aristotélica: https://www.youtube.com/watch?v=impcD... || ESPECIAL CARNAVAL: LÓGICA PROPOSICIONAL E EMOJIS As AE de Filosofia (https://www.dge.mec.pt/sites/default/...) oferecem-nos um grande final para a lógica proposicional (por muitos ansiado): conhecer sete formas de inferência válida e duas falácias formais. * Comecemos pelas sete formas de inferência válida. Estas sete formas são algumas das formas lógicas que garantidamente conferem validade ao argumento. Se um argumento segue uma destas formas, não precisamos de o sujeitar ao inspetor de circunstâncias, pois ele tem garantia de validade (e não é daquelas garantias que expiram passado um ano e depois quando vamos à loja reclamar o funcionário diz que temos de... ok, já chega). Vamos, de seguida, conhecer estas sete musas, estas sete rainhas, estas sete beldades – as formas de inferência valida. * DUPLA NEGAÇÃO É falso que não P. Logo, P. É falso que o Cristiano Ronaldo não tenha pedido a Georgina em casamento. Logo, o Cristiano Ronaldo pediu a Georgina em casamento. MODUS PONENS Se P, então Q. P. Logo, Q. Se oiço Billie Eilish, danço. Oiço Billie Eilish. Logo, danço. MODUS TOLLENS Se P, então Q. Não Q. Logo, não P. Se estou na guest, passo à frente da fila. Não passo à frente da fila. Logo, não estou na guest. SILOGISMO DISJUNTIVO P ou Q. Não P. Logo, Q. Acampo ou vou à praia. Não acampo. Logo, vou à praia. P ou Q. Não Q. Portanto, P. Acampo ou vou à praia. Não vou à praia. Logo, acampo. SILOGISMO HIPOTÉTICO Se P, então Q. Se Q, então R. Logo, se P, então R. Se tens muitos likes, és um influencer. Se és um influencer, recebes prendas das marcas. Logo, se tens muitos likes, recebes prendas das marcas. CONTRAPOSIÇÃO Se P, então Q. Logo, se não Q, então não P. Se é uma música do MC Kevinho, então é funk. Logo, se não é funk, então não é uma música do MC Kevinho. LEIS DE DE MORGAN É falso que ( P ou Q ) . Logo, é falso que P e é falso que Q. É falso que vá de férias ou descanse. Logo, nem vou de férias, nem descanso. É falso que ( P e Q ). Logo, é falso que P ou é falso que Q. É falso que saiba jogar damas e saiba jogar xadrez. Logo, não sei jogar damas ou não sei jogar xadrez. * Já conhecemos as sete beldades, passemos agora a duas bruxas: as falácias formais. Uma falácia formal é um argumento inválido que, devido à sua forma, parece ser válido. Já que estamos numa altura de Carnaval, podemos dizer que a falácia formal é um argumento inválido que se mascara de válido. Nem todos os argumento inválidos são falácias formais; mas todas as falácias formais são argumentos inválidos. Há que conhecer duas falácias formais, que são a inversão do modus ponens e do modus tollens. * FALÁCIA DA AFIRMAÇÃO DA CONSEQUENTE Se P, então Q. Q. Logo, P. Se oiço Billie Eilish, danço. Danço. Logo, oiço Billie Eilish. FALÁCIA DA NEGAÇÃO DA ANTECEDENTE Se P, então Q. Não P. Logo, não Q. Se estou na guest, passo à frente da fila. Não estou na guest. Logo, não passo à frente da fila. * E agora... que as ondas da filosofia estejam contigo! Bom estudo xD :D :) ;) :P

#04 – UMA EXPLOSÃO COM ARISTÓTELES | Quadrado Lógico - Tipos de proposições


NOTA: podes consultar outros vídeos sobre a LÓGICA PROPOSICIONAL
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#05 – FUNK, MONEY E LÓGICA PROPOSICIONAL |


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